EMPRESA
Ao rastrearmos um passado...
Descobrimos diversas curiosidades sobre a origem da Corneta na Europa e no Brasil. E vale a pena conhecer a história de uma empresa que iniciou suas atividades fabricando produtos de cutelaria, e 220 anos depois, retoma suas origens, voltando a fabricar facas forjadas, usando tecnologias milenares.
Na Era Napoleônica
No início, a Corneta atuava com a técnica do forjamento na produção de peças de aço. Séculos se passaram, e o processo prevalece nas indústrias de todo mundo, favorecidos por novos conhecimentos. O forjamento marca o início do trabalho do aço pelo Homem. E a Corneta tem uma grande participação na trajetória e evolução da História da Cutelaria e da fabricação de Ferramentas, no Brasil, na Alemanha, na Europa, no mundo enfim. Após a queda de Napoleão, em 1815, surgem os nomes que fizeram a grandeza da cutelaria alemã, marcando a história familiar de forjadores e espadeiros dos irmãos Johann Wilhelm e Peter Weyersberg, que fundaram em 1º de janeiro de 1787 a companhia. Segundo registros da prefeitura de Solingen ainda existentes, a fábrica destinava-se "a produzir principalmente lâminas para facas e espadas". A árvore genealógica dessa família acompanha o início da história da cutelaria de Solingen, da Era Napoleônica, da tecnologia metalúrgica empregada no setor e da tradição da marca Corneta no mundo.
Tradição de família
Vamos descobrir também que os Irmãos Weyersberg já mantinham na família a tradição de forjadores e espadeiros desde 1600. No entanto, as origens da Corneta estão marcadas pela fundação da Gebruder Weyersberg em 1787, na região de Solingen/Alemanha. Transcorridos 13 anos, o primeiro dos membros da Família Berg associou-se à empresa. Karl Reinhard Berg, genro de Wilhelm Weyersberg, ingressa na empresa em 1820 e, por volta de 1883, consolida-se à fusão da Família Berg. Weyersberg com a firma W. R. Kirschbaum & Co., na época a maior indústria e exportadora de Solingen, poderia ser considerada a antecessora da atual Corneta.
E no Brasil...
Consagrada em território europeu desde 1787, e com objetivos comerciais claramente definidos para os mercados da América e África, a família Berg concentra os esforços de sua diretoria na consolidação dos mercados externos. Respeitando essa política, Richard Berg visita o Brasil várias vezes, entre 1902 e 1911. Na ocasião, ele ocupava a função de dirigente máximo da companhia, assim como ocupou por muitos anos a presidência da Câmara de Comércio de Solingen. Nessa época, para abrigar as operações brasileiras, fundou a Beckmann & Co., uma importadora sediada na rua Florêncio de Abreu, em São Paulo, típico endereço de empresas do ramo de ferramentas e tradicional pólo comercial nesse segmento até hoje.
Com o falecimento de Richard Berg em 1917, seus quatro filhos passaram a operar as empresas da família. Coube aos irmãos Friedrich (Fritz) e Eugen a gestão dos negócios no Brasil, quando optaram por construir aqui uma fábrica. Eugen encarregou-se da transferência das máquinas e sua instalação, voltando posteriormente à Alemanha. Fritz Berg mudou-se para o Brasil em 1932, e assumiu a direção da fábrica que, sob o nome de Indústria e Comércio Corneta S.A., inicialmente produzia canivetes de lâminas forjadas com um desenho similar aos canivetes ingleses da marca Rodgers. Aliás, entre os brasileiros era conhecido como “pica-fumo”.
Conforme a empresa se desenvolveu, novos produtos foram adicionados à linha, principalmente tesouras. Em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, como toda empresa de origem alemã, a Corneta sofreu a intervenção do governo brasileiro até 1948. Ao retomar o controle da empresa, adquiriu de seus parentes na Alemanha, o controle acionário da fábrica, transformando-a numa indústria 100% brasileira.
A produção de itens forjados para outras indústrias também passou a ser rotina na vida da Corneta, principalmente com o desenvolvimento do incipiente parque industrial brasileiro. No final dos anos 50, registra-se o forjamento de armações de revólveres para a Indústria Nacional de Armas.
Na mesma época, instalam-se no Brasil, pela iniciativa do presidente Juscelino Kubistcheck, as primeiras indústrias automobilísticas, um campo vasto para o uso de peças forjadas, produto em que a Corneta já acumulava grande experiência. Entra nesse mercado ao adquirir em 1962, a Soliden Forjados, aprimorando e desenvolvendo sua linha de produtos para a indústria automobilística.
A dualidade entre produtos de cutelaria e forjados para automóveis manteve-se até 1978, quando a empresa decide fechar sua unidade na rua Turiassú, em São Paulo/SP. O bairro tornava-se cada vez mais residencial, e as indústrias gaúchas passaram a fazer intensa concorrência, estimulando a Corneta a concentrar seus esforços no promissor segmento automotivo. Fritz Berg fundou a Corneta no Brasil em 1932, e hoje conta com a participação de seu filho Ricardo, o neto Fritz e o bisneto Ricardo. Juntos, eles sucederam a direção da companhia, tendo a direção atual nas mãos do bisneto Ricardo Berg, mas preservando a presença do neto Fritz Berg no Conselho Geral.
Em 1960, a Família Berg se uniu à Família Bennecke, e juntas comandam a empresa até hoje. As atividades do ramo alemão encerraram-se em 1997, sendo a Corneta do Brasil a única em atividade sob o comando dos Berg e Bennecke.


Antiga Fabrica na Rua Turiassu

Fábrica Osasco
área construída: 14.500 m2

Fábrica Cotia
área construída: 3.200 m2